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Ponto de
Vista Apoiam as reformas de Sócrates os sectores abastados da burguesia,
a camada superior das classes médias, os quadros, a nata da sociedade, e a
sua clientela fiel. Enfurecem-se contra Sócrates os que têm que pagar com o
sacrifício das suas condições de vida a factura das reformas: a massa
inferior dos assalariados, dos desempregados, dos reformados. A maioria,
essa, por enquanto descontente mas indecisa, acabará por ser chamada a
pronunciar-se se a luta entrar em ascenso. (...) Para mudar de vida começar por correr com o Sócrates A grande manifestação nacional da CGTP no dia 2 de Março
confirmou que os trabalhadores começam a estar fartos das mentiras e dos
roubos deste governo. O ano novo abriu com aumentos dos transportes
públicos, electricidade, água, pão, gasolina, rendas de casa, medicamentos,
portagens, taxas moderadoras, agravamento do IRS e das taxas de juro. Cresce
incessantemente o desemprego, congelam-se os salários, baixa o valor das
pensões, enquanto os lucros batem todos os recordes e a farra dos ricos não
pára. (...)
Estão na moda os simulacros de eleições – “eleições”, livres,
democráticas, participadas, disputadas… só que em torno de coisa nenhuma. É
uma forma de os comissários do regime nos compensarem da baixeza mafiosa em
que se afunda a vida política. Desta vez, a grande opção oferecida pela RTP
aos portugueses foi elegerem, livre e democraticamente, “o maior português
de sempre”. E depois de semanas de acesos debates e com a expectativa levada
ao rubro, lá saiu na lotaria o Salazar! (...) Moradores de Chelas exigem o que é seu Entrevista por
António Barata Nas semanas que se seguiram ao 25 de Abril milhares de famílias
ocuparam as casas da Zona I de Chelas, construídas pela ditadura para
albergar os seus serventuários – pides, gnr’s, etc. Seguiu-se o processo de
legalização das ocupações, tendo os moradores acordado com o Estado um regime
de renda fixa, que previa que ao fim de algumas décadas estes entrassem na
posse das suas habitações. Desempregados Os números do INE sobre o desemprego no 4º trimestre de 2006
deram mais uma machadada nas mentiras de Sócrates. O número oficial de
desempregados atingiu, no fim do ano, 458.600 (8,2% da população activa). Na
realidade, como observa o economista Eugénio Rosa, da CGTP, o número é bem
maior. Se somarmos os 85.200 “inactivos disponíveis” (desempregados que não
procuraram trabalho nas últimas 3 semanas) e os 68.500 em “subemprego visível”
(os que trabalham menos de 15 horas por semana, embora desejem trabalhar
mais horas), chegamos ao total de 612.300, o que corresponde a cerca de 11%
de desempregados. (...) Vladimiro
Guinot Portugal, em matéria de insegurança no trabalho, é líder na
União Europeia, com uma média anual de duzentos e quarenta e oito mil
acidentes de trabalho. No ano passado esta insegurança “rendeu” 157 mortos
e, neste ano, em apenas dois meses e meio, já perderam a vida 24
trabalhadores. A maioria dos acidentes verifica-se nas empresas onde o trabalho
precário prevalece e, em matéria de mortes, estas têm maior incidência na
classe – adivinhe? – operária. A construção civil e a indústria
transformadora (estaleiros e fábricas) guardam para si a responsabilidade do
maior quinhão (70%) de mortos: 110 operário(a)s em 2006. (...) Sócrates, agora também superpolícia Quando do recente debate no Parlamento sobre a reorganização das
polícias, a imprensa falou muito da “polícia de proximidade”, da Polícia de
Trânsito e da Guarda Fiscal, mas deixou passar sem grandes reparos o facto
extraordinário de o primeiro-ministro passar a controlar directamente o
SIRP, Serviço de Informações da República (que por sua vez controla o SIS e o
SIED, as secretas civil e militar), o SISI, Sistema Integrado de Segurança
Interna, e o Conselho Superior de Investigação Criminal, a criar –
concentração de poderes que até agora ninguém julgara possível. (...) Bush na
América Latina ALAI A visita latino-americana de George W. Bush visa claramente
alterar a correlação de forças no hemisfério. O seu ponto crucial foi a
assinatura com Lula da Silva de um vasto plano para a expansão da produção de
etanol a partir da cana-de-açúcar.
A concordância da administração Bush em sentar-se à mesa das
negociações com delegações do Irão e da Síria para discutir a
“estabilização” do Iraque foi apresentada por certa imprensa como um sinal
de apaziguamento na chamada “crise iraniana”. Multiplicam-se contudo sinais
iniludíveis de que esta “concessão” se destinou apenas a cobrir a escalada
em curso: depois da detenção pelo exército norte-americano de uma delegação
iraniana em visita oficial ao Iraque, em Fevereiro, os EUA forçaram a
aprovação pelo Conselho de Segurança da ONU de novas sanções contra o Irão;
concentram no Golfo uma enorme força naval; na Austrália, o vice-presidente
Dick Cheney repete que, quanto ao Irão, “o governo considera todas as
opções”; a CIA prossegue com operações clandestinas para desestabilizar o
governo do Irão; e em fins de Março uma lancha de guerra inglesa entrou em
águas terri-toriais iranianas, numa provocação que só não teve maiores
consequências devi-do à hábil reacção de Teerão. (...) Palestina 1948 é para os palestinianos o ano da grande catástrofe: 750
aldeias destruídas e três quartos da população expulsos pelos colonos
sionistas. Começou então uma das mais duras e prolongadas lutas de um povo
pelo direito à existência. Em 1967, é a vez de a Cisjordânia, Gaza e
Jerusalém Leste serem ocupadas. Em 14 de Fevereiro, a equipa de trabalho nocturno na fábrica
Ford nos arredores de São Petersburgo, Rússia, entrou
O que empurra os Estados Unidos para a guerra? Manuel Raposo É comum atribuir-se a política belicista dos Estados Unidos a
“desvario” da administração Bush e a “radicalismo” dos chamados
neoconservadores. E, nesta linha, supõe-se que uma derrota dos republicanos
em 2008 implicará uma mudança de política e um regresso “à diplomacia”. Contrariamente
a esta ideia, nem os factos mais recentes, subsequentes à vitória dos
democratas nas eleições para o Congresso, nem o conhecimento dos interesses
de fundo das classes dirigentes norte-americanas, fazem acreditar naquela
possibilidade de mudança pacífica. (...) Greve das conserveiras de Setúbal Ana Barradas Há 96 anos, as mulheres das fábricas de Setúbal, com salários
que oscilavam entre os 350 e os 400 reis, exigiam aumentos de 50 reis por
hora. O advento das máquinas de soldar e a crise da indústria conserveira
ameaçavam pôr no desemprego milhares de operários. Declarada a greve a 21 de
Fevereiro de 1911 – tinha a República cinco meses –, depressa se revelou a
intransigência dos patrões. Sucederam--se os incidentes violentos, ao ponto
de o administrador do concelho encerrar duas associações operárias e banir da
cidade dois sindicalistas. No dia 25 de Fevereiro, o operariado de Setúbal
declarou a greve geral. Foram enviados para a cidade vários contingentes
militares e a canhoneira Zaire. Os trabalhadores, intimidados, regressaram ao
trabalho no dia 28, mas não as mulheres: recusavam retomar o trabalho
enquanto não lhes dessem os aumentos de salário. (...) As relações entre a vanguarda e as massas José Mário Branco A Revolução proletária só poderá acontecer e sobreviver se e
quando uma grande massa de trabalhadores pobres, de várias camadas aliadas
para esse fim, assumir como seu esse projecto de transformação da sociedade.
O papel da vanguarda na libertação das consciências proletárias e na produção
de ideias políticas, como o fermento que faz levedar o pão, levanta a questão
da relação dialéctica entre a vanguarda e as massas. Como resolver a
contradição entre os dois pólos: uma organização de massas, por um lado, um
exército de quadros experimentados e politicamente avançados, por outro?
Para o compreendermos, temos de responder à pergunta: quem é o protagonista
da História, em particular “desta nossa história”? Proponho algumas pistas
para a reflexão. (...) Vanguarda e massas – pequenos exemplos Vladimiro
Guinot No ano passado, em Setembro, cerca de noventa trabalhadores da
empresa de construção civil Pereira da Costa, na Venda Nova, Amadora, foram
despedidos só porque o patrão assim o decidiu. Por essa altura, todos os
trabalhadores, de maioria operária, decidiram “assentar arraiais” em frente
da empresa exigindo a reintegração dos seus camaradas. Esta situação
manteve-se até que, em Novembro, o patrão trancou as portas da empresa,
foi-se embora e mandou para o desemprego 140 trabalhadores sem o pagamento
dos salários |
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