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107 - NOVEMBRO / DEZEMBRO 06

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Ponto de Vista

O governo deles

 

Eloquente foi Francisco Vanzeller, o presidente da CIP, quando, no final de uma reunião de empresários promovida pelo PS, declarou que, à parte algumas divergências, o programa do Partido Socialista contempla “quase tudo o que nos interessa”. Cavaco Silva, por sua vez, acabou com as ilusões dos que esperavam vê-lo entrar em conflito com o governo. A sua entrevista à RTP foi um elogio rasgado ao programa de Sócrates e uma advertência ao PSD e CDS para que compreendam o seu lugar e moderem eventuais ardores oposicionistas. (...)

Em apoio da greve dos funcionários públicos

Comunicado da “Política Operária”

 

“Eficácia dos serviços”, “progressão dos funcionários segundo o mérito”, clama o Governo para a Administração Pública. Nada disto está nos objectivos da reforma imposta pela equipa de Sócrates.
Os serviços públicos funcionam mal, e mal vão continuar porque a reforma posta em andamento não se destina a servir melhor a população. Destina-se a entregar à exploração privada os sectores que podem render. Destina-se a reduzir despesa do Estado suprimindo serviços e despedindo funcionários. Isto significa drenagem de dinheiros públicos para mãos privadas. E resulta na criação de uma bolsa de funcionários desempregados que vai permitir ao capital privado degradar mais ainda as condições de emprego do pessoal dos serviços. (...)

Autoeuropa

Regressa a ameaça de despedimentos

 

Ainda há dois meses os trabalhadores da AutoEuropa tinham aceite as exigências da direcção da VW da Alemanha, de reduzir de 200% para 100% o pagamento do trabalho extraordinário e que os aumentos salariais se limitassem a 4,5% nos próximos dois anos, como condição para a fábrica receber a encomenda do sucessor do Sharan. Em troca, a AutoEuropa comprometeu-se a não fazer despedimentos colectivos até Dezembro de 2008.
Pois, apesar desse “acordo” arrancado à força, regressa a ameaça de despedimentos na fábrica de Palmela. (...)

Referendo sobre o aborto

Sim? Vamos a ver...

Ana Barradas

 

Andam as bloguistas a fazer sondagens sobre o sentido de voto no referendo sobre o aborto e as percentagens pelo “sim” são formidáveis, acima dos 70 por cento!
É porque não se aconselham no confessionário e se calhar nem temem a Deus. Mas as outras, as beatas histéricas e as ratas de sacristia a desfilar nas ruas vestidas de branco, com a cruz em riste e cartazes com imagens de fetos mutilados, a assustar os eleitores com o fim do mundo – Deus nos livre delas. (...)

A CGTP face à CSI

Paulo Ambrósio

 

Foi adiada para Janeiro a 4ª Conferência da CGTP sobre Organização Sindical, prevista para 24 de Novembro, e que se deveria debruçar sobre a defesa da contratação colectiva e o combate à precariedade, para além de questões administrativas e de quadros.
A este adiamento não será estranha uma divergência surgida nas estruturas da central e à margem dos pontos da ordem de trabalhos, que tem a ver com a atitude a tomar face à nova Confederação Sindical Internacional (CSI). Esta CSI, que aparece promovida na comunicação social com cores simpáticas, resulta da fusão de um conjunto de centrais social-democratas de direita, com destaque para a antiga CISL, possuidora de um historial pouco invejável de colaboração de classes e fretes ao imperialismo. (...)

Fórum Social Português

Cadáver adiado

António Barata

 

Totalmente despercebido e sem qualquer brilho decorreu em Almada, entre os dias 13 e 15 de Outubro, o II Fórum Social Português, confirmando uma morte que se previa desde a sua primeira edição. E isto porque o Fórum sempre foi uma ficção, construída a partir de cima pelos partidos da esquerda ordeira portuguesa – BE, PCP e alguns sectores do PS – que oportunisticamente procuraram capitalizar a seu favor a simpatia existente há cerca de 5 anos relativamente aos encontros e manifestações antiglobalização e ao Fórum Social de Porto Alegre. (...)

A batalha de Oaxaca

 

No dia 22 de Maio, 60 mil professores do estado de Oaxaca, México, entraram em greve por melhores condições de trabalho e contra o desprezo colonialista das autoridades centrais pela cultura indígena. Milhares de grevistas acamparam no centro da cidade. O governador Ulises Ruiz, do PRI, começou por ignorar a greve. Mas na madrugada de 14 de Junho mais de três mil polícias expulsaram os grevistas da praça com gases lacrimogéneos, causando numerosos feridos. Pelas seis da manhã, os professores voltaram com o apoio de milhares de moradores e recuperaram o Zócalo (praça central), expulsando os polícias. (...)

O julgamento de Saddam Hussein

Manuel Raposo

 

A primeira das sentenças preparadas contra Saddam Hussein foi cuidadosamente marcada para as vésperas das eleições nos EUA, de modo a que os Republicanos pudessem tirar efeito do acontecimento perante o eleitorado norte-americano. Bastaria saber isto para se ver no acto o sentido de uma jogada partidária da parte da administração Bush e para mostrar como a justiça está fora desta história. (...)

Bush não foi derrotado!

Tropas dos EUA fora do Iraque agora!

 

Descontentes com a degradação do emprego, dos serviços de saúde e das reformas, e sobretudo alarmados com a perspectiva de um desastre no Iraque, depois das pesadas baixas militares sofridas em Outubro, os norte-americanos castigaram a política de Bush-Rumsfeld-Cheney dando a maioria ao Partido Democrata nas eleições de 7 de Novembro.
Há que avaliar porém este desaire eleitoral na sua justa medida. Nada indica que possa estar iminente uma mudança de política dos EUA quanto à guerra no Iraque. (...)

“Porque não votamos Lula”

(Do jornal do PSTU Opinião Socialista, S. Paulo, 18/10)

 

Participámos com o PSOL e o PCB na Frente de Esquerda que promoveu a candidatura de Heloísa Helena na primeira volta das eleições. Agora na segunda volta, defendemos que se impõe o voto nulo. Porquê?
Sabemos que mesmo trabalhadores mais conscientes defendem a necessidade de apoiar Lula contra Alckmin: “Lula não é bom mas é de esquerda, enquanto Alckmin é de direita”. (...)

Cenas da luta de classes na China

Robert Weil

 

Numa série de encontros que realizei durante o Verão de 2004 com operários, camponeses e activistas de esquerda em diferentes regiões da China, apercebi-me dos efeitos das transformações massivas ocorridas nas três décadas após a morte de Mao, com o desmantelamento da política revolucionária socialista praticada sob a sua direcção e o regresso à “via capitalista”. Uma sociedade que se contava entre as mais igualitárias está a sofrer uma polarização acelerada entre uma riqueza extrema na cúpula e as péssimas condições de vida de operários e camponeses. (...)

Crónica

Negócios com “párias”

A. Lobo

 

As reticências da França em acompanhar o governo dos EUA nas ameaças de sanções ao Irão não têm as motivações meramente políticas que muitos supõem, muito menos escrúpulos pacifistas.
Aproveitando-se da ausência das empresas norte-americanas, proibidas de negociar com o Irão, excomungado por Bush como um “Estado pária”, as multinacionais europeias, sobretudo francesas e alemãs, precipitaram-se nos últimos anos sobre as oportunidades de investimento naquele país. Só à sua parte, as multinacionais francesas terão investido no Irão 20 a 25 mil milhões de euros, sobretudo na exploração do petróleo e do gás. (...)

A crise crónica ou o estádio senil do capitalismo

Tom Thomas

 

É evidente que o capitalismo está em crise. Mesmo que alguns episódios de breves retomas, aqui ou ali, permitam aos “especialistas” alardear que o sistema continua de vento em popa e apresentar os crashes bolsistas ou monetários como problemas localizados, ou resultantes dos excessos de um capital financeiro a que chamam “liberal”, da especulação e da sede ilimitada de enriquecimento de alguns cínicos potentados.
Isso, porém, seria ignorar os profundos movimentos subterrâneos que acumulam forças contraditórias, os quais, à semelhança das placas tectónicas que originam os sismos, se resolvem através de crises. (...)

Ibéria

Francisco Martins Rodrigues

 

A visita de Cavaco Silva a Madrid criou o ambiente propício para trazer para os jornais a hipótese da “união ibérica”. E, após várias sondagens, pronunciamentos e palpites (“isentos” e “desapaixonados” como convém nestes casos), concluiu-se que uma boa parte da população dos dois países está de acordo com a união – ou seja, com a integração de Portugal numa grande Espanha.
Obviamente, as sondagens foram trabalhadas para dar o resultado previamente pretendido. A grande maioria dos portugueses conservam uma sábia desconfiança face à tradição de arrogância e brutalidade emanada de Madrid. (...)

 

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