I | ||||
1. |
"POLÍTICA OPERARIA" é uma revista política e teórica comunista. |
|||
2. |
O principal propósito de "P.O." é levar ao proletariado as ideias marxistas, combater o praticismo reformista que o domina e criar condições para a formação de um verdadeiro partido comunista operário em Portugal. |
|||
3. |
"P.O." considera indispensável: |
|||
a) |
dar resposta aos problemas contemporâneos que o marxismo-leninismo deixou sem explicação, renovar o pensamento e a política revolucionários através do desenvolvimento criador das ideias de Marx e de Lenine; |
|||
b) |
recusar as falsificações revisionistas e as deformações dogmáticas próprias do centrismo, que mataram o espírito revolucionário, crítico e polémico do marxismo-leninismo; |
|||
c) |
proceder a uma crítica radical do revisionismo moderno e do centrismo, pondo a claro os laços que ligam um ao outro enquanto expressões da apropriação do marxismo pela pequena burguesia; |
|||
d) |
abrir à classe operária novos caminhos de intervenção política independente; renovar-lhe a confiança na revolução socialista em alternativa ao reformismo revisionista; |
|||
e) |
combater as demais tendências oportunistas de hoje que se manifestam na desistência da acção revolucionária, no desencanto com o marxismo, na desagregação da extrema-esquerda em círculos diletantes social-democratas, trotskistas, liberais ou anarquistas. |
|||
II | ||||
4. |
"P.O." ligar-se-á estreitamente à realidade portuguesa e internacional, pronunciando-se sobre todos os problemas políticos que a vida apresenta. |
|||
5. |
Preocupar-se-á em estudar o capitalismo, as classes e as lutas de classes no nosso país, em elaborar uma política revolucionária e ligá-la ao movimento operário. |
|||
6. |
Não dará espaço ao academismo ou a divagações: buscará o fundo dos problemas, as ideologias em presença, os interesses de classe em confronto, as forças políticas em disputa. |
|||
7. |
Local de polémica aberta sobre os problemas actuais do marxismo-leninismo e do movimento operário, não deixará de exprimir, da forma mais clara possível, uma orientação política determinada diante de cada uma das questões em debate. |
|||
III | ||||
8. |
A principal forma de acção política prática de "P.O." consistirá na formação de dirigentes do movimento operário. Será esse o seu mais sólido elo de ligação ao movimento operário. |
|||
9. |
A relação entre propaganda e acção de massas põe-se para nós deste modo: quanto mais acertadas e completas forem as nossas respostas aos problemas políticos, mais dirigentes operários hão-de aderir ao marxismo-leninismo e maior capacidade de acção prática terá o nosso movimento. |
|||
IV | ||||
10. |
A polémica aberta diante de todos os operários conscientes será o método de "P.O." afirmar a sua política. |
|||
11. |
Os problemas que dizem respeito à classe operária e aos comunistas exigem discussão pública. É preciso romper com a ideia enraizada no nosso movimento operário de que a polémica é própria do social-democratismo. |
|||
12. |
O comunismo, desnaturado pelo revisionismo ao longo de décadas, praticamente desapareceu como corrente política de massas. O processo de definição de uma nova política revolucionária, fruto da própria falência da chamada "corrente marxista-leninista", está apenas a iniciar-se e, consequentemente, a unidade dos comunistas encontra-se por fazer. |
|||
13. |
A polémica aberta é, assim, indispensável: |
|||
a) |
para demarcar posições com as correntes oportunistas e inimigas do marxismo; |
|||
b) |
para examinar por todos os ângulos as questões em debate; |
|||
c) |
para detectar a natureza e a profundidade das divergências que surjam no nosso próprio campo. |
|||
14. |
O horror à polémica e à discussão pública é um traço marcante tanto do revisionismo como do centrismo. É uma atitude que resulta da tentativa de estabelecer um compromisso entre a ideologia operária revolucionária e a ideologia pequeno-burguesa, reformista, de apagar as divergências de ideias e de evitar as críticas aos dogmas estabelecidos. |
|||
15. |
A unidade ideológica dos comunistas, pelo contrário, só poderá realizar-se pelo debate aberto. Toda a tentativa de limitar a polémica, de encerrar os debates em círculo fechado, resulta, tarde ou cedo, no encobrimento dos desacordos reais, na fabricação de unidades aparentes, no empobrecimento político da esquerda, na estagnação da teoria revolucionária. |
|||
16. |
Nenhuma concessão ao reformismo, nenhuns tabus centristas. Só uma revista capaz de travar uma luta de ideias permanente, de suportar os embates da crítica, de abordar todas as questões vivas da realidade poderá captar o interesse do movimento operário e fazê-lo entrar no caminho da luta política de classe. |
|||