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Ponto de
Vista Israel
- “Esquerda mole” deixa correr
O massacre sistemático
dos resistentes palestinianos só é possível porque uma opinião pública israelita
contaminada pela mentalidade racista de “povo superior” lhe dá o seu aval. O
testemunho de um grande intelectual israelita Israel está em vias de se transformar numa colónia americana, à semelhança do que eram a antiga Rodésia ou a África do Sul em relação à Grã-Bretanha. Colónia dirigida pelos oligarcas, pelo exército e pelo Shin Beth (polícia secreta), o país é uma prisão, onde vivem três milhões e meio de habitantes nativos, amontoados em áreas territoriais, em campos de concentração ou em guetos, de acordo com uma política demográfica claramente racista, orientada para a purificação étnica. Nesta prisão existem
instalações especiais para os carcereiros israelitas, os quais vivem em
recintos próprios, cortados da realidade dos nativos. Algo como a Zona Verde
Hoje em Israel, a política e os políticos são objecto de anátema. Este é o sintoma certo de uma sociedade nacionalista de massa, cujos heróis são os oligarcas, como Arcadi Gaydamak, e os generais, como Ariel Sharon ou Ehud Barak. Os antigos Gregos designavam os cidadãos apenas voltados para os seus interesses pessoais e alheados da vida política como “idiotas”. Aí está um termo adequado para os israelitas actuais. No Israel actual, a sabedoria convencional vê a cultura como existindo em si e para si, numa esfera à parte, sem qualquer relação com a política. Tudo o que é político é visto como vulgar e trivial, como se a literatura e a cultura não tivessem nada a ver com a vida cívica. Encorajam-se cursos de escrita que se tornam nichos económicos florescentes de terapia pela arte; servem para ajudar as pessoas a adaptar-se. A psicologia tornou-se uma ideologia. Todos os traumatismos de uma sociedade caracterizada pelo assassinato militar e pela exploração são interiorizados, tornam-se problemas de natureza privada; o indivíduo torna-se um paciente. Temos uma “esquerda mole” que,
em termos gerais, vocifera contra a ocupação da Palestina para depois pôr a
credibilidade assim ganha ao serviço do regime em todas as questões concretas
de alguma importância. Esses intelectuais apoiaram os acordos de Oslo, a
burla de Camp David, de Julho de Os escritores da “esquerda mole” não empenham a literatura na política. Fazem o inverso; em vez de incutir decisão para agir, sublimam a política em cultura. Nos seus escritos, a Ocupação é transformada no conflito de sentimentos da bela alma israelita atormentada. A Ocupação tornou-se um ramo da cultura, fornece matéria para uma interminável autoflagelação narcisista, para filmes, conferências, teses de doutoramento e carreiras universitárias. A Ocupação foi expropriada ao domínio da luta e relegada a uma psicoterapia para jardim infantil. Como na Montanha mágica de Thomas Mann, toda a sociedade israelita é transformada numa sociedade de doentes, numa imensa clínica. |