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Ponto de
Vista Flexigurança – A batalha que nos espera A flexigurança,
com que nos vêm enchendo os ouvidos há meses, já está
Que novidades vêm aí? Os trabalhadores vão passar a ter um contrato de trabalho individual e temporário, a não ter um horário de trabalho fixo, a mudar de funções dentro da empresa, ou até de localização. Acaba o tempo dos contratos por toda a vida, da semana de 5 dias a 8 horas, das negociações colectivas, das compensações por despedimento, etc. Tudo passa a ser flexível. Em Espanha, 55% dos novos contratos já são a prazo. Este vai ser também o nosso futuro dentro de pouco tempo. Em vez da garantia de conservar o emprego, acenam-nos com a facilidade em encontrar sempre emprego. “Não te preocupes em ser despedido a qualquer momento – dizem-nos. – É fácil perder o emprego mas também é mais fácil arranjar outro logo a seguir”. Como na América. Andar a saltar de emprego em emprego – belo futuro! Que contrapartidas? Mas atenção, dizem-nos. A “flexigurança” inclui também uma parte de segurança. O que é? É a “formação ao longo da vida”, são as “políticas activas de emprego”, a “reconversão profissional”, a “protecção social mais eficaz” – uma série de programas que só darão cobertura a uma ínfima minoria e vão servir de vitrina para fingir que compensam o ataque desferido aos direitos laborais. O que eles não dizem é que os trabalhadores, com medo de se ver no desemprego, vão dispor-se a aceitar tudo para conservar o emprego: redução do salário, aumento do tempo de trabalho, horas extraordinárias… Não dizem que os trabalhadores com mais de 50 anos estão condenados. Não dizem que os direitos sindicais ficam reduzidos a zero. “É para vosso bem!” Os polícias de serviço, que são os ministros, encarregam-se de convencer os trabalhadores de que este ataque brutal é para bem deles. Diz o ministro Vieira da Silva: “Para evitar a flexibilidade selvagem, vamos instaurar a flexibilidade ‘politicamente gerida e socialmente controlada’. E Durão Barroso, ás da hipocrisia, dizia em Fevereiro deste ano, em Bruxelas: “Fico espantado quando oiço algumas pessoas falar da estratégia de Lisboa como uma espécie de conspiração liberal, de ameaça ao modelo social europeu ou de tentativa de americanização da sociedade europeia. Nada de menos verdadeiro”. Nada mais verdadeiro, dizemos nós! Oiçamos Ludgero Marques, presidente da Associação Empresarial de Portugal: “É duro de dizer, mas facilitar os despedimentos é um choque necessário. A actual legislação laboral ofende a economia.” “Ofende a economia”, quer ele dizer, ofende os interesses do capital. Temos um espelho, a Dinamarca, país de vanguarda da flexigurança. Ali toda a gente pode ir para a rua dum dia para o outro; num ano, 30% dos trabalhadores na Dinamarca mudam de emprego pelo menos uma vez; indemnização por despedimento baixa; a partir do terceiro mês no desemprego, se recusar o emprego que lhe é oferecido fica sem subsídio; não há salário mínimo. Um verdadeiro paraíso para os capitalistas. Um inferno para quem trabalha. A Europa não pode esperar Os governantes europeus têm
pressa. Porque a concorrência capitalista não espera. Traçaram em 2000 o
objectivo de “tornar a UE uma das economias mais dinâmicas e mais
competitivas do mundo daqui até Os magnatas europeus invejam a superioridade americana: produtividade elevada, despedimentos à vontade, um importante sector com baixos salários, protecção social muito reduzida. A Europa não consegue competir com os Estados Unidos porque ainda não os imitou na liberalização e na privatização selvagens, na brutalidade da repressão, na anulação dos sindicatos, no desmantelamento do sistema social. É disso que trata a “flexigurança”: acabar com as últimas conquistas sociais obtidas depois da guerra mundial, derrotar as últimas resistências do movimento proletário. Ruptura Os trabalhadores entram neste grande confronto em manifesta desvantagem. Não podemos iludir-nos. O movimento sindical adoptou há dezenas de anos uma política errada, defensiva, moderada, que desprezou os sectores mais pobres e mais explorados do proletariado – aqueles que poderiam ser a vanguarda da resistência. A Jornada de Luta de 18 de Outubro, programada pela CGTP para cumprir o calendário e para presidência da UE ver, pode ser a ocasião de um protesto real se tiver uma adesão massiva e fizer ouvir bem alto a voz das massas exploradas. A “ruptura com a política actual” de que fala o PCP só é possível se houver luta real das massas nas ruas. Não à flexigurança! Abaixo o Governo! Não somos escravos do capital! |