Tiro ao Alvo

Terror: imaginário e verdadeiro

Francisco Martins


* O SIS alerta que Portugal está a servir de “porta de entrada” para “radicais islâmicos” a caminho da Europa. Entre as actividades des­tes grupos re­gistadas pelo SIS destacam-se a “distribuição de pan­fle­tos escritos em árabe ou a convocação de ma­nifestações anti-ame­rica­nas”. E aqui está como as ma­nifestações contra a guerra imperialista passam à categoria de “actividade terrorista”.

* Rui Pereira sucede a António Costa na chefia do Mi­nistério da Admi­nis­­tração Interna. Foi boa a escolha de Só­crates: quem melhor do que o ex-chefe do SIS para pôr a máquina da bufaria em acção?

* Caricata mas politicamente correcta é a petição da­queles cidadãos que se opõem à trasladação para o Pan­teão dos restos mortais de Aqui­lino Ribeiro, por­que o escritor teria estado envolvido no atentado em que foi morto o rei D. Carlos, pelo que terá sido, incontesta­velmente, um “terrorista”.
Se o espírito cívico dos ditos cidadãos for imi­tado, em breve ve­remos campanhas para que sejam pu­nidos todos aqueles que, du­­rante o regime fas­cista, praticaram “actos terroristas” contra a guerra do Ul­tramar, os pides e as instituições salazaristas.

* E esta, hein? Sabe que houve em Portugal no ano passado um ata­­que terrorista? É pelo menos o que in­forma a Europol, no seu EU Terrorism Situa­tion and Trend Report. Vem na revista Focus de 16 de Maio, com um mapa e tudo. O leitor não deu por nada? Então é porque está pouco vigilante con­tra a ameaça terrorista que quer des­truir a nossa civilização.

* Agora um pouco de terrorismo a sério – É o terro­rismo das tropas por­­tuguesas, que entraram em com­bate no Afeganistão, às ordens da NATO e es­tão a massacrar o povo em luta contra a ocupação es­­­trangeira. Quando o governo garantiu que iam só em “missão hu­­manitária”, já dava para perceber a mentira. No Afeganistão, sob a bandeira da re­pressão dos talibãs, está em curso uma clássica guer­­ra colonial. No Líbano, os “nossos rapazes” ajudam a meter na ordem os palestinianos.
Assim, pela primeira vez, desde o 25 de Abril, o exér­cito português retoma a desonro­sa tradição de cão de guarda do im­perialismo. Apoiado pelo PSD e CDS, o governo reafirma a decisão de prosseguir. Não haverá meios de o travar?

VOLTAR