Morrer a trabalhar

Vladimiro Guinot


Portugal, em matéria de insegurança no trabalho, é líder na União Europeia, com uma média anual de duzentos e qua­renta e oito mil acidentes de trabalho. No ano passado esta insegurança “ren­deu” 157 mortos e, neste ano, em apenas dois meses e meio, já perderam a vida 24 trabalhadores. A maioria dos aciden­tes verifica-se nas empresas onde o tra­ba­lho precário prevalece e, em matéria de mortes, estas têm maior incidência na classe – adivinhe? – operária. A cons­trução civil e a indústria transformadora (estaleiros e fábricas) guardam para si a res­ponsabilidade do maior quinhão (70%) de mortos: 110 operário(a)s em 2006.
Isto para não falar dos muitos traba­lhadores que, depois dos acidentes, aca­bam por morrer nos hospitais e não con­tam para as estatísticas, e dos milhares que ficam incapacitados, no todo ou em parte, para continuarem a trabalhar, cujo número real nunca se consegue apurar por falta (propositada?) de dados estatís­ticos. Como também não existem dados estatísticos sobre o número de trabalha­dores que sofrem de doenças profissio­nais incapacitantes. Contudo, na UE, in­cluindo Portugal, calcula-se que mais de 8 milhões de trabalhadores têm proble­mas de saúde resultantes da sua activi­dade profissional.
Entre 2003 e meados de Março de 2007, morreram em Portugal, vítimas de acidentes de trabalho, 728 trabalhadores. Perseguidos pelo desemprego, com a fome a bater à porta para si e seus filhos, os trabalhadores, homens e mulheres, su­jeitam-se a trabalhar sem o mínimo de condições de segurança. Não têm opção! Ou morrem de fome ou morrem a trabalhar.
Ou será que existe uma saída?

(Fontes: IGT e DN)

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