“Porque não votamos Lula”

(Do jornal do PSTU Opinião Socialista, S. Paulo, 18/10)


Participámos com o PSOL e o PCB na Frente de Esquerda que promoveu a candidatura de Heloísa Helena na primeira volta das eleições. Agora na segunda volta, defendemos que se impõe o voto nulo. Porquê?
Sabemos que mesmo trabalhadores mais conscientes defendem a necessidade de apoiar Lula contra Alckmin: “Lula não é bom mas é de esquerda, enquanto Alckmin é de direita”.
Como eles, estamos contra Alckmin. Quem se lembra do que foi o governo de Fernando Henrique Cardoso não pode deixar de repudiar esta sua nova versão. Só com as privatizações do Vale do Rio Doce e da Telebrás, o país foi roubado em cerca de 220 biliões de reais, metade da actual dívida eterna – dinheiro que foi enriquecer as multinacionais e os políticos do PSDB e do PFL.
Mas o “desenvolvimento” defendido por Lula é infelizmente igual ao de Alckmin. É um projecto que destrói a soberania do país, a educação e a saúde, dá biliões a banqueiros e grandes empresários e corta direitos e rendimentos aos trabalhadores.
A polarização entre Lula e Alckmin não põe frente a frente capitalistas e trabalhadores. Não é por acaso que os banqueiros e a burguesia estão divididos nesta segunda volta como estiveram na primeira. Nem é por acaso que Bush, o maior representante do imperialismo, continua a apoiar Lula.
No passado, Lula foi de esquerda; hoje é de direita. As migalhas distribuídas pelo programa Bolsa Família têm o mesmo objectivo dos programas “sociais” dos governos de direita em todo o mundo: garantir uma base eleitoral e a aceitação do modelo neoliberal. Mais nada.
Lula aplica o mesmo plano neoliberal de Fernando Henrique. Tem no seu governo representantes da burguesia e da direita, como José Alencar, dono da maior empresa têxtil do país, e Henrique Meirelles, do Bank Boston; manda tropas para o Haiti, ao serviço de Bush; alia-se com José Sarney, Maluf e Jader Barbalho; o seu governo pratica uma corrupção espantosa, igual à da direita.
O voto em Lula é o voto em quem vai atacar duramente os trabalhadores com as reformas laborais e da previdência. A Câmara dos Deputados já aprovou, por proposta de Lula, o decreto que retira aos trabalhadores da microempresas o direito ao 13º mês e a férias. Lula pretende, tal como Alckmin, estender esta reforma a todos os trabalhadores, com o argumento de que só assim se estimularão os investimentos. E Lula pretende, tal como Alckmin, elevar a idade da reforma.
Defendemos por isso o voto nulo. Para indicar que não existem nesta segunda volta alternativas eleitorais para os trabalhadores. E porque uma grande soma de votos nulos enfraqueceria as duas candidaturas e o futuro governo eleito, que será um governo de direita.

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