Bush não foi derrotado!

Tropas dos EUA fora do Iraque agora!


Descontentes com a degradação do emprego, dos serviços de saúde e das reformas, e sobretudo alarmados com a perspectiva de um desastre no Iraque, depois das pesadas baixas militares sofridas em Outubro, os norte-americanos castigaram a política de Bush-Rumsfeld-Cheney dando a maioria ao Partido Democrata nas eleições de 7 de Novembro.
Há que avaliar porém este desaire eleitoral na sua justa medida. Nada indica que possa estar iminente uma mudança de política dos EUA quanto à guerra no Iraque.


DE RUMSFELD A GATES

Para o lugar do sinistro Donald Rumsfeld, Bush pôs à frente do Ministério da Defesa Robert Gates. Só quem não conheça o percurso deste personagem pode esperar uma mudança de política. Com uma longa carreira no Conselho Nacional de Segurança, Robert Gates entrou para a CIA em 1966, e desde então tem tido um papel preponderante na política de agressão dos EUA. Entre outros feitos do seu currículo, o golpe de Estado no Chile, que derrubou Salvador Allende para instalar no poder o fascista Pinochet. A ascensão de Gates ao lugar de director da agência mafiosa foi atrasada pelo escândalo “Irão-contras” (o envolvimento da CIA na venda de armas ao Irão para financiar os “contras” da Nicarágua). Mas o apoio de Ronald Reagan elevou-o finalmente ao posto cimeiro da CIA em 1991-1993. Depois dos atentados do 11 de Setembro, Gates passou a chefe da Secretaria da Segurança Interna, com o encargo de aplicar a legislação “antiterrorista” no país. Agora, a sua escolha para secretário da Defesa resulta da sua participação no ISG, o Gupo de Estudos sobre o Iraque dirigido por James Baker, que propõe uma retirada gradual dos 150.000 soldados norte-americanos e a abertura de negociações com o Irão e a Síria.


NÃO HÁ VIRAGEM À VISTA

Seria erróneo porém prever o início de uma retirada efectiva das tropas. Teoricamente, o Partido Democrata, dispondo agora de maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, poderia impor a retirada das tropas num curto prazo e, em caso de recusa de Bush, poderia iniciar um procedimento de impugnação do presidente e do vice-presidente. Mas esse cenário só existe na boa-fé dos ingénuos incuráveis. Os dirigentes democratas já tornaram claro que não tencionam entrar em ruptura com a política presidencial. Passada a fase das críticas com fins eleitorais, prevalece o “patriotismo” e o “bom senso”.
Os interesses de rapina que lançaram os EUA na sangrenta aventura do Médio Oriente não são postos em causa pelos meios dirigentes de Washington, sejam eles Republicanos ou Democratas. Uns e outros estão de acordo em que os EUA não podem “perder a face”. A “viragem política” ditada pelas eleições de 7 de Novembro resumir-se-á assim a aplacar o alarme da opinião pública com promessas de retirada a prazo e ir ganhando tempo. Não são de excluir acções ainda mais brutais para tentar desorganizar a resistência iraquiana. É aliás o que indica o previsto aumento do orçamento militar para o próximo ano.
Quaisquer ilusões numa derrota de Bush por via eleitoral só ajudariam o poder imperialista norte-americano a prolongar a guerra e a desencadear novas provocações na região, contra o Irão ou a Síria. Só baixas mais pesadas das tropas ocupantes, uma campanha internacional mais vigorosa e uma oposição mais enérgica do próprio povo norte-americano acabarão por impor o fim da criminosa invasão do Iraque.

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